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Agricultura Regenerativa

Agricultura em latim significa campo e cultivo, ou seja cultivo do campo, sendo a chave no desenvolvimento e ascensão da civilização sedentária, tornando humanos coletores e caçadores em produtores. Considerando de forma mais abrangente e atualizando o conceito, pode-se dizer que é a cultura de como se relacionar com a natureza. Assim como outros animais, como formigas, abelhas, cupins, produzimos substâncias que sustentam a vida, incluindo comida (grãos, vegetais, frutas, óleos, carnes, laticínios, fungos e ovos), fibras, combustíveis e matérias-primas (como o látex). A agricultura regenerativa surge como a proposta de "cuide do solo e ele cuidará de você". Quer entender como funciona? Clica aqui!

  


A agricultura emprega 1/3 da população mundial, ficando atrás somente do setor de serviços e possui um enorme impacto na globo, seja erradicando a fome, produzindo a abundância que nos permitem viver em cidades, domesticando espécies com potencial de uso, quanto causando impactos ambientais e que contribuem para o aquecimento global, como o esgotamento de aquíferos, poluição por agroquímicos (pesticidas e fertilizantes), desmatamento, antibióticos e hormônios na produção de carne industrial.


A relação homem e natureza vai além das árvores e do pátio que observamos de dentro de nossas casas e pela janela. Toda a nossa casa, estruturas, roupas, o computador que usamos um dia já foi natureza. A janela já foi árvore que virou tábuas de madeira, a cortina é uma fibra de algum subproduto, o queijo na mesa já foi 10 L de leite misturados com renina para coagular.


E para que tudo continue sendo, precisamos continuar fazendo. Sim, a agricultura nunca acabará, ela é pra sempre e é intrínseca a gente, só temos que fazer de forma sustentável para que seja infindável e continuamente benéfica, tanto para os homens quanto para o planeta. E sendo sincero, homens e planeta são um só, não existe separação, pois coexistimos. Podemos dizer que somos o planeta e o planeta somos nós.


Como a Agricultura afeta o Mundo


Comida e agricultura estão relacionadas com qualquer uma das grandes mudanças e desafios que a humanidade enfrenta no século 21: fome; pobreza; problemas ambientais; mudanças climáticas; erosão da diversidade cultural e da saúde.


A agricultura vai muito além do uso de recursos naturais e produção de commodities. As práticas agrícolas determinam de fato a forma que humanos, seja em cidades ou em áreas rurais, se relacionam com o meio em que vivem, consumem e administram seu patrimônio e herança biológica e cultural.


Hoje em dia, comida e agricultura estão no centro de todas as preocupações, e para enfrentar os desafios de hoje e do amanhã, precisamos desenvolver a nova "Agro cultura", que mantém a diversidade e alcança a sustentabilidade.


Mudanças Climáticas


A produção de eletricidade, as indústrias, os transportes, e certamente a agricultura são grande emissores de CO2, gás que provoca o efeito estufa (Gases do Efeito Estufa, GEE), responsável pelas mudanças no clima que vemos atualmente. Junto com a silvicultura (setor madeireiro) e outras formas de uso da terra, a agricultura é responsável por pelo menos 25% das emissões de GEE gerados por humanos.


Também possui papel central em acabar com essa crise e criar um futuro sustentável e confiável, sem poluição de carbono. Um futuro onde providenciaremos nossa crescendo população mundial com alimentos saudáveis e frescos, cultivados em ecossistemas com solos sustentáveis.


A perca dos solos férteis e da biodiversidade mundial, junto com a perca de sementes e conhecimentos indígenas, geram uma ameaça mortal à nossa sobrevivência futura.


Com a velocidade que degradamos o solo através da descarbonificação, erosão, desertificação, poluição química, etc., sofreremos sérios danos na saúde pública, devido ao fornecimento de alimentos degradados e de baixa qualidade, com menos nutrientes e sem minerais importantes, além de literalmente não possuirmos solo superficial para produzir. Sem proteger e regenerar o solo dos 2 bilhões de hectares de lavouras, 3 bilhões de hectares de pastos e 4 bilhões de hectares de florestas, será impossível alimentar o mundo, manter o aquecimento global abaixo de 2ºC, ou parar a perca de biodiversidade.


Agricultura Regenerativa


Diferentes lugares, diferentes pessoas, diferentes climas... não existe cultura padrão ou normal, cada uma é adaptada para condições regionais, históricas e sociais. A forma que interagimos com o meio onde nos encontramos é diferente uma da outra. O diferente é bom, permite e possibilita o desenvolvimento de atividades em locais e culturas diferentes.


Cada população possui uma cultura e um agri (forma de interagir) únicos, ou seja, cada população possui sua agricultura, baseada em fatores que influenciam a região e a população.


Esses povoados estão instalados e vivem há gerações em cada localidade. Esse tempo de permanência e interação com o meio gera experiência e produz conhecimento, de forma intencional e não intencional também. Depois de anos fazendo a mesma atividade, possivelmente junto dos pais, avós e bisavós, aprende-se muitas coisas envolvendo a idéia da atividade, como iniciar, por onde começar, como realizar, transportar, processar, comercializar, e recomeçar ou perpetuar a atividade.


O propósito da Agricultura Regenerativa é conservar e reabilitar a abordagem de sistemas alimentícios e agrícolas, independente da forma como é feita.


O foco é a regeneração da camada superficial do solo, aumento da biodiversidade, aprimorar o ciclo das águas, elevar serviços ecossistêmicos, apoiar a biofixação (captura e armazenamento de carbono atmosférico por processos biológicos) e fortalecer a vitalidade e saúde dos solos agrícolas.


Práticas incluem a reciclagem da maior quantidade de resíduos possíveis, compostagem, separação e triagem de resíduos, utilização de materiais processados e compostados, originários de fontes externas, e utilizados nas propriedades.



Agriculturas e Práticas Sustentáveis


A agricultura regenerativa vai além de "não fazer mal" à terra, e sim melhorá-la, utilizando tecnologias que regeneram e revitalizam o solo e o meio ambiente. A agricultura regenerativa torna solos saudáveis, capazes de produzir alimentos densos em nutrientes e de alta qualidade, ao mesmo tempo que melhora, ao invés de degradar a terra, levando à fazendas produtivas, comunidades e economias saudáveis.


São práticas agrícolas orgânicas e permaculturais, dinâmicas e holísticas, que incluem cultivo mínimo ou plantio direto (sem revolvimento do solo), plantas de cobertura, rotação de culturas, compostagem, abrigos móveis de animais e pastoreio racional, entre outras práticas, que visam aumentar a produção alimentícia, a renda do agricultor e especialmente, o solo superficial.


São diversas práticas, agriculturas, pecuárias e formas de uso da terra que criam sistemas agroalimentares regenerativos e ecossistemas naturais saudáveis:


>Aquicultura


>Agroecologia


>Agroforestra


>Carvão Vegetal (Biochar)


>Compostagem


>Culturas Perenes


>Manejo de Pastagens


>Pastoreio Racional Voisin (PRV e pastoreio holístico)


>Sistema de Plantio Direto (SPD)


>Sistema Silvipastoril


Algumas práticas:


>Fungicultura


>Cercamento


>Infraestruturas de baixo custo


>Ferramentas apropriadas


>Legislação e considerações legais


>Defumação


>Animais a pasto (carne, leite e ovo)


>Abatimento na fazenda (on farm)


>Rotação de culturas


>Micro usinas e beneficiamento


>Solo vivo (nutrição da teia alimentar do solo)


>Microverduras


>Plantio direto (sem revolvimento)


>Fluxo de trabalho


>Contabilidade e Finanças


>Planejamento da safra


>Recursos humanos (trabalhar com pessoas)


Potencial


A mudança global para a agricultura regenerativa pode:


Alimentar o mundo: levando em consideração que a agricultura familiar alimenta o mundo com menos de 1/4 de toda terra cultivável.


Reduzir as emissões de GEE: um sistema agroalimentar pode ser fundamental para as mudanças climáticas. O atual sistema alimentar industrial é responsável por até 55% de todas as emissões de GEE globais.


Reverter as mudanças climáticas: somente a redução das emissões é insuficiente. Felizmente, de acordo com cientistas podemos reverter de fato as mudanças climáticas ao aumentar a fixação (e retirada da atmosfera) de carbono no solo.


Aumentar a produção: em casos de climas extremos e mudanças climáticas, o rendimento de fazendas orgânicas é consideravelmente maior que em fazendas convencionais.


Criar solos resistentes à seca: a adição de matéria orgânica no solo melhora características como a retenção de água. A agricultura orgânica regenerativa agrega matéria orgânica ao solo.


Revitalizar economias locais: a agricultura familiar representa uma oportunidade para impulsionar economias locais.


Preservar conhecimento tradicional: entendendo sistemas agrícolas indígenas é importante para entender a ecologia local com finalidade de desenvolver sistemas agrícolas orgânicos e regenerativos.


Estimular a biodiversidade: a biodiversidade é fundamental para a produção agrícola e segurança alimentar, também é parte fundamental na conservação do meio ambiente.


Restaurar pastagens: 1/3 da superfície terrestre são pastagens, 70% das quais já foram degradadas. Podemos restaurá-las utilizando PRV e manejo de pastagens.


Melhorar a nutrição: atualmente nutricionistas insistem na necessidade de agroecossistemas mais diversos, a fim de garantir uma produção de nutrientes diversificada nos sistemas agrícolas.



Características e Como Funciona


Um solo saudável estoca carbono. Uma grande quantidade de carbono é retirada da atmosfera pelas plantas através da fotossíntese. Esse é o motivo de promover práticas agrícolas que aumentam a quantidade de matéria orgânica no solo, ajudando a sequestrar e fixar mais carbono: como limitar o uso de agroquímicos sintéticos, realizar rotação de culturas, reduzir o revolvimento do solo e utilizar resíduos da safra como compostagem.


Estudos demonstram que solos saudáveis são mais resistentes a secas e erosão de chuvas fortes. Um solo saudável é capaz de reter mais água, aumentando sua habilidade de suportar o crescimento de plantas e microrganismos.


Microrganismos do solo representam 1/4 da biodiversidade mundial, e auxiliam a nutrir e proteger a biodiversidade vegetal e animal, criando ecossistemas sadios e vigorosos que são mais resistentes aos estresses das mudanças climáticas.


Trabalhando de perto com agricultores, sabemos que o trabalho deles é indispensável para a economia global e  para sistemas alimentares - principalmente a agricultura familiar. Os agricultores conhecem melhor suas terras e são os atores que levam à transição para a agricultura regenerativa. Nosso objetivo é apoiar essa mudança, e acompanhá-los na sucessão e transmissão dos conhecimentos.


Desenvolver relações boas e duráveis com agricultores permite estabelecer contratos de longo prazo, com sistemas de gestão que vão de acordo com a evolução dos custos de produção ao invés das variações de mercado. Contratos como esses ajudam a garantir lucros estáveis e mitigar efeitos da flutuação de mercado nos preços dos produtos, permitindo agricultores a se projetarem e investirem no futuro - incluindo investimentos em práticas regenerativas e sustentáveis.


Animais são partes integrais na agricultura regenerativa. Um alto bem estar animal também é fundamental na regeneração das fazendas, reforçando a sustentabilidade econômica, performance e competitividade. Produtores de leite com altos padrões de bem estar animal possuem maiores produções e leite de qualidade. O mesmo serve para produtores de carne e ovos, sendo que para padronizar o bem estar animal, utiliza-se as 5 Liberdades, um padrão reconhecido internacionalmente.


Fontes:


http://www.unesco.org/new/en/natural-sciences/environment/ecological-sciences/specific-ecosystems/agro-culture/


https://regenerationinternational.org/why-regenerative-agriculture/


http://www.regenerativeagriculturedefinition.com/


https://www.danone.com/impact/planet/regenerative-agriculture.html


https://www.regenerativeagriculturebook.com/


https://www.climaterealityproject.org/blog/what-regenerative-agriculture


https://petvet.ufra.edu.br/images/radar/radarpetvet003.pdf

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