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Tratamento de Dejetos na Suinocultura - Parte 1


1) Dados gerais sobre a suinocultura


O Brasil é o 4° maior produtor de carne suína no mundo, sendo que esta carne é a 3ª mais consumida no país. A região sul é onde se concentra a maior parte da produção nacional.


Com o desenvolvimento tecnológico, observamos o maior número de animais em uma mesma área, gerando maiores rendimentos aos produtores, porém maior potencial poluidor, principalmente de recursos hídricos. Vale ressaltar que os recursos hídricos tem uma importância enorme para a saúde das pessoas e das lavouras. 


Por isso o tratamento de dejetos é tão importante, estando previsto nas regulamentações ambientais estaduais.  Além disso, a geração de um resíduo final útil, que possa ser utilizado na lavoura, comercializado como adubo ou para a geração de energia elétrica e/ou térmica, é um outro objetivo do tratamento de dejetos de suínos.


 


2) Potencial poluidor dos dejetos de suínos


> Devido a sua composição química e microbiológica, esses dejetos tem alto poder de contaminação e geração de danos ao meio ambiente;


> Para exemplificar, o poder contaminante de 1 suíno é equivalente ao poder contaminante de 3,5 pessoas;


> Se não manejados corretamente, esses dejetos podem contaminar solo e mananciais de água, causando aumento na quantidade de vetores e doenças, além de sérios desequilíbrios ecológicos;


> O odor desagradável também é considerado um dejeto que deve ser tratado, pois pode ocasionar chuva ácida, prejuízos nos sistemas respiratórios de animais e pessoas.


 


3) O que é considerado dejeto?


> São dejetos: água desperdiçada pelos bebedouros, água de lavagem, urina, fezes, restos de ração, e outros materiais;


> A composição desse dejeto varia de acordo com a alimentação.


 


4) O tratamento de dejetos


> Seguir as Boas Práticas Ambientais;


> Submeter os dejetos tanto sólidos quanto líquidos à um processamento onde micro-organismos irão realizar a ciclagem natural dos compostos orgânicos;


> Toda unidade de produção de suínos deve ter um plano de tratamento de dejetos, que deve estar de acordo com a legislação estadual;


> Suinocultores devem conhecer as cinco etapas do tratamento dos dejetos, que tem por objetivo:


- Impedir a contaminação ambiental e suas consequências;


- Reduzir o volume dos dejetos, deixando-os mais concentrados; 


- Transformar em um produto com valor e potencial agronômico.


4.1) Etapa 1: Geração 


> Ter calculado o volume de dejetos gerados e seu grau de diluição;


> Para construir um sistema que dê conta de tratar todo o dejeto gerado, é necessário saber o grau de diluição dos dejetos e suas características físico-químicas. Para isso, antes de planejar o sistema de tratamento, é muito importante levar em conta:


Modelo dos bebedouros;


Protocolos de limpeza;


Protocolo de arraçoamento.


> Sabendo esses três fatores, é possível estimar o volume total de dejetos gerados. Para complementar o cálculo, deve se utilizar o densímetro para calcular o teor de matéria seca característico dos dejetos;


> O valor depende do tamanho do rebanho, quantidade de cada categoria de animais (idade), modelo do bebedouro, práticas de higienização e dos manejos utilizados;


> Em média, cada suíno pesando de 16 - 100 kg produz diariamente entre 8,5% e 4,9% de seu peso em fezes e urina;


> Para que os dejetos não contaminem o meio ambiente ao serem gerados, a estrutura física do criadouro deve ser adequada e as práticas devem ser planejadas e inspecionadas rotineiramente;


> Deve-se ter um planejamento para não desperdiçar águas nas instalações:


Suínos necessitam de água de qualidade em abundância. Para suprir essa necessidade de forma efetiva é necessária a utilização de bebedouros adequados, e que as instalações hidráulicas sejam bem instaladas e corretamente dimensionadas.



4.2) Etapa 2: Coleta:


> Para facilitar o tratamento, é muito importante direcionar os dejetos para um local único, para isso deve-se utilizar canaletas ou calhas impermeabilizadas;


> Inspecionar rotineiramente a qualidade da estrutura e garantir que não há vazamento e não há entrada de água externa (água da chuva);


> O máximo desnível entre os canais de manejo de dejetos é de 5%;


> Capacidade mínima do tanque: o necessário para captar e armazenar todo o dejeto gerado em um dia;


> Para limpar o sistema de coleta: recirculação dos dejetos líquidos das saídas (produto final) dos sistemas de tratamento.


4.3) Etapa 3: Armazenagem


> Com o objetivo de ocorrer a fermentação e com isso, diminuir o número de organismos causadores de doenças (patógenos), a Armazenagem é a etapa em que os dejetos ficam depositados em esterqueiras ou lagoas durante um tempo determinado. 


> A recomendação técnica para a construção da esterqueira e lagoa é: 


Construir dois reservatórios de mesmo tamanho;


Capacidade total deve possibilitar o tempo de retenção hidráulica (TRH) de pelo menos 80 dias;


Segurança técnica: devem operar com folga de 20 % do volume total de cada tanque.


> O produtor deve ter o Plano de Utilização, com as seguintes informações:


Tempo de estocagem;


Área/espaço onde ocorrerá a armazenagem;


Fluxo de operações a serem realizadas;


Qual é a alteração desejada e a alteração realmente obtida dos dejetos de suíno no final da armazenagem, informando as características dos dejetos.


> Deve-se fazer o tratamento do excedente, quando a quantidade armazenada é maior que o limite máximo de adubação que a propriedade suporta.


4.4) Etapa 4: Tratamento


> Somente dejetos tratados e com características finais atendendo aos padrões de emissão fixados pela legislação, poderão ser lançados ao meio ambiente ou utilizados na lavoura;


> Somente técnico habilitado (com ART correspondente) pode projetar os sistemas de tratamentos;


> Os sistemas de tratamentos não podem ser construídos em Áreas de Preservação Permanente (APP);


> Tipos de tratamentos: serão abordados na Parte 2, que será publicada em breve.


4.5) Etapa 5: Distribuição e uso do produto resultante


> Sobre o esterco suíno sólido: gera melhorias consideráveis ao solo, contudo somente devem ser aplicados se passarem por fermentação em composteiras ou estabilização adequada em esterqueira;


> Além das melhorias químicas, o esterco rico em matéria orgânica melhora a densidade, textura, retenção de umidade, aeração e permeabilidade do solo;


> Para ser utilizado como fertilizante, o resultante do processo de tratamento pode estar na forma de: 


Composto orgânico: deverá ser produzido pela mistura de dejeto sólido fresco com restos de vegetais ricos em carbono, nas proporções 1:2 a 1:4;


Produto líquido: Poucos concentrados em termos de nutrientes e podendo variar muito quanto a sua composição. Além disso o custo de armazenamento e transporte, aumenta os gastos finais do processo;


Produto sólido: esterco.


> Quantidade a ser utilizada dos resíduos secos compostados: seguir recomendação da Comissão de Fertilidade de Solo;


> Utilizar os dejetos tratados na própria propriedade pode gerar uma economia de cerca de 60% em relação à adubação.


Cuidados:


> Solos devem ser bem drenados e não podem ser solos que sofrem inundações periódicas;


> Lençol freático deve estar a pelo menos 1,5m de distância do solo, considerando a situação onde há maior grau de chuva possível;


> Áreas que recebem esses rejeitos tratados devem estar pelo menos há 50m de distância de qualquer tipo de recurso hídrico, habitações vizinhas e estradas;


> Quantidade: a recomendação é não ultrapassar 50m3/há/ano.



Fontes:


Boas práticas ambientais na suinocultura, SEBRAE


Sustentabilidade ambiental na produção de suínos: recomendações básicas, FUNDESA


Manejo de dejetos de suínos – Embrapa


 


 


 


 

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